In Memoriam Credidio Rosa (4/9/1938 - 6/8/2014)

sábado, 19 de maio de 2018

Primitivo X Zinfandel

CREDVINHO - MAIO 2018

TEMA: PRIMITIVO X ZINFANDEL

RESTAURANTE SERAFINA JARDINS


Sabemos que as cepas Primitivo e Zinfandel possuem o mesmo DNA sendo a Primitivo conhecida no sul da Itália, na região de Puglia, e a Zinfandel nos Estados Unidos, na região da Califórnia.

Pensa-se que os imigrantes italianos, após passarem pela costa leste europeia, mais precisamente na Croácia, trouxeram para a América a cepa Crljenak Kastelanski, da qual as 2 cepas acima descendem. A palavra Primitivo é uma referência à sua época de colheita, sendo uma uva precoce e a primeira casta tinta a ser colhida em meados de agosto, e por este motivo, conter muito açúcar residual produzindo vinhos com alto teor alcoólico.

Nosso vinho de boca foi o Woodbridge de Robert Mondavi 2016,conhecido e muito apreciado pelos americanos como White Zinfandel, mas que na realidade é um vinho rosé. Trata-se de um vinho suave, pouco corpo que agrada num aperitivo ou numa piscina. GA 12%, R$ 110,30.




Degustação

1-Masseria Trajone Puglia Primitivo di Manduria,2016, GA 14%, R$ 108,00. Vinho de cor rubi, aromas de frutas vermelhas, bom corpo, persistência média. Foi o quarto a ser escolhido.

2-Gravelly Forrd Zinfandel 2013,GA14,5%, R$ 109,90. Vinho equilibrado, taninos macios, cor rubi , aromas de frutas secas. Foi o terceiro a ser escolhido.

3- Sessantanni Farnese Primitivo di Manduria DOC 2014, GA 14,5%, R$ 287,90. Vinho de cor rubi, taninos macios, bom corpo, boa persistência e aromas intensos de frutas vermelhas. Foi o primeiro a ser escolhido pela grande maioria dos participantes.

4- Robert Mondavi private selectio Zinfandel,2016, GA 13,5%, R$ 110,30. Vinho de cor rubi, aromas delicados de frutas secas, boa acidez, corpo médio. Foi o segundo a ser escolhido.



Para o jantar tivemos o vinho Bonacchi Primitivo IGT Puglia 2015, GA 13,5%, R$ 68,40 que se harmonizou muito bem com Ravioli ao funghi e robalo com cama de batatas e caramelizado de alho poró.



Serafina é um local muito agradável com serviço e serviçal impecáveis.
Silvia nos apresentou o tema com muito conhecimento e o grupo esteve muito interessado e animado.



Até junho,

VERA


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Cabernet Franc da Bulgária

CLUVINHO - MAIO 2018
TEMA - CABERNET FRANC DA BULGÁRIA
LOCAL - CLUB ATHLETICO PAULISTANO

Os participantes só sabiam que o tema era Cabernet Franc; desconheciam que a Bulgária era o país de origem. Foi uma surpresa positiva para todos.

Os vinhos da degustação são importados pela Winelands; o do jantar fugiu um pouco do tema, pois foi um Cabernet Franc de excelente qualidade produzido no Uruguai e importado pela World Wine.

A Cabernet Franc é originária da região de Navarra na Espanha e foi levada para a França no século XVII pelo cardeal Richelieu, que a plantou na Abadia de St. Nicolas de Bourgueil no vale do Loire. Somente no século XVIII foi levada para a região de Bordeaux, onde combinadas com Cabernet Sauvignon e Merlot formam o blend da maioria dos vinhos tintos dessa emblemática região. É conhecida  em Saint Emilion por Bouchet e no Loire por Breton.

A Bulgária tem uma longa tradição em vinhos, iniciada nos tempos da Grécia Antiga. O estado búlgaro formou-se em 681, sendo conquistado pelos turco-otomanos e depois pelos russos. Os últimos, para suprir a necessidade de grandes volumes do mercado russo, acabaram dizimando a produção de vinhos de qualidade. A Bulgária já foi o sexto país produtor de vinhos. A partir dos anos 90 voltaram a trabalhar mais os vinhedos e hoje tem uma serie de vinícolas boutique produzindo bons vinhos.

A degustação

Abrimos com o excelente rosè búlgaro CASTRA RUBRA 2015, do produtor de mesmo nome, da região de Telish, vinhedos com mais de 50 anos, em 2006. Com Michel Rolland começou a modernidade, não passa por madeira, fresco, toques de morango e framboesa, GA - 13,5%, preço R$ 145,00.

Os tintos degustados foram:

EM CABERNET FRANC 2011 - Da região de Trácia, produzido por Eduardo Miroglio Winery, passa 10 meses em barricas novas de carvalho francês e alguns meses nas caves, corpo médio, frutas negras, fácil de apreciar, GA - 13,5%, preço R$ 152,90, foi o segundo na preferencia.

CÔTE DE DANUBE CABERNET FRANC 2011 - Das encostas do Rio Danubio, produzido por Chateau Burgozone, mudas francesas, passa por barricas de carvalho francês, frutas vermelhas, cacau e uva passa, GA - 14%, preço R$ 129,90, foi o primeiro na preferencia.

FOUR FRIENDS ZITARA 2014 - Da região de Trácia, melhor região vinícola da Bulgária, produzido por Four Friends, vinícola boutique, vinhas de 2006, 14 meses em barricas de carvalho francês, frutas negras, corpo médio, GA - 14,5%, preço R$ 148,00, terceiro na preferencia.

VERSION PLAISIR DIVIN 2013 - Da região montanhosa do Asenitsa River, produzido por Vinzavod ad Assenougrad, desde de 1947, passa por madeira, frutas negras, chocolate dark, GA - 14,5%, preço R$ 164,00, foi o quarto na preferencia.




No jantar tivemos na entrada Berinjela Parmegiana com Pancetta Crocante, como prato principal Paillard Mezzaluna com Linguini ao Burro e Sálvia e sobremesa Creme Brûlée. O vinho para harmonizar foi o uruguaio Garzon Reserva Cabernet Franc 2015, da região de Maldonado, de 6 a 12 meses com as peles em barricas de carvalho francês, frutas vermelhas, médio corpo, GA - 14,5%, preço R$ 99,00. Conclusão, jantar e vinho excelentes.

Cred não nos abandone.

Taba

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O que são vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos?

Vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos

Hoje em dia fala-se muito em vinho natural, orgânico e biodinâmico.

No universo vinícola a agricultura cria uma geração de consumidores conscientes que busca cada vez mais aliar seu bem-estar ao cuidado com o meio ambiente.

Daí nosso interesse em conhecê-los melhor.

O que é Vinho Natural?

Vinhos Naturais são aqueles feitos com o uso mínimo possível de produtos químicos, aditivos e procedimentos tecnológicos. Isso inclui enxofre, pesticidas, qualquer um dos 200 aditivos permitidos legalmente e manipulações tecnológicas que apagam a individualidade do produto e do terroir.

A definição de vinho natural se assemelha às leis alemãs de pureza da cerveja, onde a cerveja deve ser feita apenas com água, cevada e lúpulo.

A noção de vinho natural surgiu por volta dos anos 60 com o produtor do vinho beaujolais Jules Chauvet, químico, negociante e produtor de vinhos. Seus vinhos não tinham pesticidas, fertilizantes sintéticos, adição de enxofre ou leveduras. Inspirou muitos viticultores a segui-lo.

O vinho natural pode ser produzido a partir de uma agricultura orgânica ou biodinâmica, não contendo leveduras e aromatizantes artificiais. A falta desses conservantes pode reduzir o tempo de vida da bebida.

Vinho puramente natural é feito de suco de uva e pouco mais. A proposta é manter as características naturais da uva. Como não passam por nenhuma filtragem, esses vinhos costumam ser mais escuros e espessos. Para acentuar o sabor devem ser consumidos depois de decantados.

A noção de vinho natural é muito mais elástica, não existindo absolutos, podendo ser simplesmente uma interpretação individual, de cada produtor, de como o vinho pode ser manipulado e vinificado. Possíveis intervenções na  manipulação são a irrigação ou a poda, e na vinificação são a chapitalização (acréscimo de açúcar) ou a inclusão de sulfite para proteger o vinho da oxidação.

Arnaud Tronche, barman do Bar Racines em NY, é fã dos vinhos naturais e diz: “Alguns vinhos são naturais, outros são quase naturais.”

Vinho Orgânico

Cultivo orgânico da uva significa que pesticidas, fungicidas ou agrotóxicos não são usados na vinha. Os fertilizantes são substituídos por adubo natural feito à base de óleos de plantas, sabão e granulados como a bentonita. Estes produtos não penetram na polpa da fruta produzindo, por consequência, menos resíduo no vinho.

Ironicamente, no entanto, muitas vezes, quando "orgânico" é indicado no rótulo de um vinho, não há a garantia que ele seja tão natural assim, já que existem produtores que se autodenominam como "orgânicos", apresar de não serem certificados. O uso de "uva orgânica" é essencial, mas pode-se adicionar qualquer coisa durante a vinificação e manipular com tecnologia e ainda manter a certificação orgânica no rótulo. Esta certificação é cara e pequenos produtores não desejam pagá-la.

A produção de vinho orgânico representa 4% da fabricação mundial da bebida.

Os americanos naturalistas da Califórnia produziram os primeiros vinhos orgânicos do mundo. Após 30 anos os europeus passaram a fabricá-los. Somente os americanos e australianos legalizaram o termo orgânico.

Le Travers de Marceau 2013 é um grande orgânico francês. A América Latina não fica atrás: Familia Cecchin Malbec 2014 é um vinho argentino muito apreciado. Aqui no Brasil Juan Carrau da vinícola Velho Museu e Casa Bento, da Cooperativa Vinícola Aurora são grandes apostas orgânicas nacionais.


Vinho Biodinâmico

A proposta biodinâmica para a produção de vinhos vai além da técnica agrícola convencional: esta é uma filosofia em que a biodiversidade ao redor da vinícola é completamente respeitada. Nesse modelo de agricultura, a natureza se ajuda: os chás naturais auxiliam na mineralização do solo, a plantação de rosas entre as videiras controla a proliferação de pragas e o engarrafamento do vinho é feito de acordo com os ciclos lunares: tudo garante o completo equilíbrio do solo. Por seguir esse ciclo que elimina os produtos sintéticos, a agricultura biodinâmica é responsável pela produção dos vinhos mais intensos, saudáveis e saborosos do mundo.

Baseada nas teorias do filósofo australiano Rudolf Steiner (1865-1925) sobre agricultura em geral, a biodinâmica vê cada vinícola como um organismo vivo e que deve ser mantido de forma sustentável e individual. A terra é também um organismo vivo dependente de ritmos sazonais diurnos e noturnos e receptivos aos ciclos cósmicos.

Os biodinâmicos veem as plantas compostas de raiz, folha, flor e fruto que estão ligados aos 4 elementos: terra, água, ar e fogo. Cada elemento da planta é favorecido em pontos específicos durante os ciclos da lua e sua relação com os 12 signos do zodíaco.

Da Argentina temos os vinhos da vinícola Rousset e o Colomé Malbec Lote Especial 2010. No Chile temos os vinhos da vinícola De Martino Tinajas Cinsault 2013. Para quem prefere os espumantes Raventós L´HereuBlanc Brut 2011 da Espanha e Santa Augusta Espumante Brut do Brasil. A França tem a maior vinícola biodinâmica do mundo, a Domaines Cazes em Rossillon (150ha).

Quais seriam as vantagens de um vinho orgânico ou biodinâmico?

GOSTO: tira-se o melhor proveito de uma vinha.

SAÚDE: é melhor por não conter produtos químicos.

CUSTO: tem uma boa relação custo/benefício pois a maioria não opera no sistema de Denominação. Os vinhos só podem ser rotulados como Vinho de Mesa apesar de bons e as vezes caros.

IMPACTO AMBIENTAL: é muito melhor para o ambiente pois provém de uma agricultura sustentável. Um enólogo natural é um verdadeiro artesão; seu trabalho requer habilidade, paciência e coragem com pequenas recompensas financeiras.

SULFITOS: os sulfitos acontecem naturalmente em toda fermentação do vinho e eles são acrescentados na forma de dióxido de enxofre antes do vinho ser engarrafado para prevenir a oxidação durante o transporte pois impede a entrada de oxigênio na garrafa que é um grande inimigo.
Por outro lado, o excesso de sulfito representa um vinho com excesso de álcool. Muitas pessoas atribuem a dor de cabeça após ingerirem uma taça de vinho ao sulfito e à histamina existente em vinhos tintos tânicos elaborados com Cabernet Sauvignon e Syrah. Para esclarecer esta dúvida basta ingerir um pedaço de pêssego seco que é rico em sulfites para verificar se haverá alguma reação ou cefaleia e para as histaminas ingerir salame com pão de fermento.


Como é bom aprender e não ser esquivo a novos ensinamentos!!!!

Vera Kortas Pires de Camargo

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